SIM São Paulo: O que os curadores querem e como a tecnologia pode ajudar na seleção dos artistas

Neste ano, a SIM São Paulo, uma das principais feiras de negócios de música da América Latina, chega a sua quinta edição. Dentre as dezenas de atividades que compõem o evento, destacam-se os showcases – apresentações de até 20 minutos que acontecem para um público de profissionais do mercado, como empresários, produtores, contratantes e formadores de opinião de diversos países.

Esse é o primeiro ano que a SIM São Paulo utiliza o sistema da Playax no processo de cadastro e escolha dos showcases. “Analisamos o desempenho dos artistas em diversas fontes, como rádios, TVs, redes sociais, serviços de streaming, sites de música, shows e disponibilizamos essas informações para que o conselho possa avaliar melhor a audiência dos artistas”, afirma Juliano Polimeno, diretor executivo da Playax.

 

Formulário de inscrição para os showcases da SIM São Paulo 2017

Formulário de inscrição para os showcases da SIM São Paulo 2017

Fabiana Batistela, diretora da SIM São Paulo, explica que existem critérios de seleção e critérios de decisão. “Os critérios de seleção estão divulgados no regulamento do showcase como, por exemplo, qualidade artística e originalidade, nível de profissionalismo, qualidade técnica, equipe e comprometimento com a carreira. Esse ponto é super importante porque queremos que os artistas selecionados tenham resultados práticos, consigam fechar shows o ano inteiro, consigam parcerias com selos, empresários ou outros agentes do mercado. Não adianta ser uma banda brilhante, mas ser desorganizada e não ter condições de negociar com os profissionais que vão estar lá”. Fabiana conta também que, como o número de inscritos costuma ser maior do que mil, para apenas 27 vagas, são usados outros critérios de decisão, que buscam selecionar atrações de estados diferentes, mesclar bandas e artistas solo e ter 50% da programação formada por mulheres.

Segundo Coy Freitas, diretor artístico na B!Ferraz, o critério principal é a originalidade. “É importante entender se o artista faz parte de alguma cena, se essa cena tem representatividade, de que nível de representatividade a gente tá falando, se é um nicho cultural, se é um movimento novo e se vem realmente propondo algum tipo de renovação nessa estética. Além da questão pessoal e individual do trabalho do artista ou da banda, é necessário entender como esses caras trabalham nas redes sociais, como eles distribuem as músicas, quais as estratégias e como eles se comunicam com o público. A combinação de boas informações com a percepção do que o artista está fazendo, que aí está muito ligado ao meu repertório pessoal, é o mundo ideal.”

“Não acho que exista um número exato, uma nota de corte ou a necessidade de ter cinco, dez ou quinze mil likes, mas tem que estar contando uma história, tem que ter uma presença constante, estável, que indique pra gente que o artista está se vendo como um empreendimento profissional”, diz Luiz Augusto Buff, diretor executivo da 1M1Art.

 

Tela de desempenho em rádio de Liniker e os Caramelows

Tela de desempenho em rádio de Liniker e os Caramelows

Para Alexandre Matias, fundador do Trabalho Sujo, curador de música do Centro Cultural São Paulo e do Centro da Terra, “tem muitos casos em que um artista monta uma banda, compartilha a página no Facebook pra vários amigos, todos dão like e o cara fica com a ilusão de que aqueles amigos são fãs da banda, quando na verdade é uma coisa bem diferente. O fato de seus amigos gostarem que você tenha uma banda não significa que estarão no show, comprando material ou baixando suas músicas. Ao mesmo tempo, você tem uma série de outros artistas que estão completamente fora do meio digital, seja por falta de assessoria ou por uma questão estética mesmo, em que a pessoa não vê sentido em dedicar tanto tempo ao digital. Então, o meu trabalho como curador é tentar encontrar o equilíbrio entre essas duas medidas, uma delas quantificável, que é a medida do online, e a outra não, que é a medida do offline”.

Dani Ribas, diretora da Sonar Cultural, conclui que, “os dados e a tecnologia são ferramentas que fazem a gente apurar o olhar e identificar com mais facilidade se uma proposta artística tem a possibilidade de atingir um mercado mais abrangente. Não dá pra usar só os dados, mas eles ajudam muito a compor aquilo que é o escopo do evento. Então, os dados são complementares à curadoria feita pelas pessoas”.

Fique ligado nos próximos conteúdos que daremos dicas sobre como usar seus dados a seu favor.

Categories: Dicas, Geral, Notícias, Relatório Semanal

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